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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Nosso Som brasileiro

O povo brasileiro sempre foi musical. Três raças contribuíram para eclosão da musica brasileira. O índio dentre outras relevâncias significativas, teve importante influência nesta estrutura e composição da nossa música. A partir de uma gama de palavras nativas, organizou-se com o passar dos tempos um rico e diversificado vocabulário, muito usado, expresso, sentido e interpretado nas mais variadas canções, gêneros, ritmos, folguedos pelos cantos do Brasil.
O negro imprimiu um ritmo acentuado, extrovertido, sensível, forte, intenso, entretanto suave aos ouvidos mais apurados. Dos milhões de negros, que entraram no Brasil tiveram papel de destaque na formação da alma e sentimentos brasileiros. O que seria da música brasileira sem o caráter dramático, feiticista e intuitivo do africano que se exprime quando tocado, dançado, invocado, louvado, amado, enfim, como explicar a harmonia e melodia extraída dos diversificados instrumentos musicais pelos músicos negros que nunca estudaram música?
A influência branca, isto é, tanto portuguesa, espanhola, quanto francesa, italiana e outras imigrantes, também contribuíram no contexto musical. Segundo Mário de Andrade, os portugueses fixaram o tonalismo harmônico. De Portugal vieram os instrumentos e a literatura musical europeia. Por intermédio dos espanhóis abstraímos boleros, fandangos, habaneras e zarzuelas. Com os latinos-americano conhecemos o percón e posteriormente o tango. Dos italianos, incorporamos a valsa. Dos escoceses e poloneses, conhecemos o xótis e a polca.
Apesar do rico material etnocultural, sofremos forte influência do jazz-norte americano, e nos iludimos na tentativa de um novo gênero, bem como uma música que representasse o som Brasileiro definitivamente, que tivesse reconhecimento maior e repercutisse mundo afora. De certa forma rotularam uma espécie de jazz-brasileiro, com o intuito de legitimar nossa música. Logo denominaram um novo som de Bossa Nova. A imitação por um lado deu resultado, mas por outro, não ostentou o som brasileiro. Contudo, todo chover sucessivo de liras populares estrangeiras sobre o povo brasileiro veio alimentar-lhe, ainda mais, o pendor pela musica. Todo esse copioso e variadíssimo material, amalgamou-se, e no ultimo quartel do século XVIII, produziu os primeiros espécimes eruditos da musica brasileira.
Hoje, século XXI uma vasta gama de sons se propaga em cada canto do país. Cada ritmo, harmonia e melodia etnocultural, tem sua sinfonia fundamental no pentagrama da Musica Nacional Brasileira, esta dita e conhecida muita vezes como MPB. Portanto, eis aqui o nosso som, o nosso ritmo, a nossa batucada, a nossa alma, o nosso sentimento, o nosso coração, a nossa irreverência, a nossa contribuição musical negra neste imenso país.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

DE ONDE VEM O SAMBA?

Sempre presente na vida do brasileiro, ele alivia as tristezas do povo com muita harmonia. Seu ritmo contagia todas as camadas sociais do país e pulsa forte no coração de quem traz na veia, a arte de um som brasileiro. Apesar de ser evidênciado e prestigiado em todo país, sua difusão é totalmente extrapolada e usurpada pela mídia. A massificação da indústria fonográfica com seus "rótulos comerciais", desconfigura todo seu caracter musical. Daí qualquer coisa que tem pandeiro, cavaco e " mulata" com o corpo a mostra, é dito, vendido e consumido como Samba. O produto final só pode ser péssimo e a imagem do nosso Samba nem preciso falar.
Ouve-se muito e fala-se nada sobre o samba, pouquíssimas pessoas, há não ser os pesquisadores, musicistas, e estudiosos, sabem da denominação e conteúdo verdadeiro do samba no Brasil.
O Samba apresenta-se primeiro como dança popular e posteriormente como gênero musical derivado de ritmos e melodias de raízes africanas, como o Lundu e o Batuque. A coreografia é acompanhada de música em compasso binário e ritmo sincopado. Tradicionalmente, é tocado por cordas (cavaquinho e vários tipos de violão) e variados instrumentos de percussão. Por influência das orquestras americanas em voga a partir da segunda guerra mundial, passaram a ser utilizados também instrumentos como trombones e trompetes, e, por influência do Choro, flauta e clarineta. Apesar de mais conhecido atualmente como expressão musical urbana carioca, o samba existe em todo o Brasil sob a forma de diversos ritmos e danças populares regionais que se originaram do Batuque.
Como gênero musical urbano, o Samba nasceu e desenvolveu-se no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX. Em sua origem, na forma de dança, acompanhada de pequenas frases melódicas e refrões de criação anônima, foi difundido pelos negros que migraram da Bahia na segunda metade do século XIX e instalaram-se nos bairros cariocas da Saúde e da Gamboa. A dança incorporou outros gêneros cultivados na cidade, como Polca, Maxixe, Lundu, Xote, no qual originou o samba carioca urbano e carnavalesco. Proviniente das formas antigas do Samba, surgiu nessa época o Partido Alto, expressão coloquial que designava alta qualidade e conhecimento especial, desde a própria forma temática com que elaboravam e improvisavam as rimas, e a própria forma com que harmônizavam os Sambas cultivados pelos mais antigos. O primeiro samba gravado no Brasil foi Pelo Telefone, no ano de 1917, cantado por Bahiano. A letra deste samba foi escrita por Mauro de Almeida e Donga .
Tempos depois, o samba toma as ruas e espalha-se pelos carnavais do Brasil. Neste período, os principais sambistas são: Sinhô Ismael Silva e Heitor dos Prazeres . Na década de 1930, as estações de rádio, em plena difusão pelo Brasil, passam a tocar os sambas para os lares. Os grandes sambistas e compositores desta época são: Noel Rosa autor de Conversa de Botequim; Cartola de As Rosas Não Falam; Dorival Caymmi de O Que É Que a Baiana Tem?; Ary Barroso, de Aquarela do Brasil; e Adoniran Barbosa, de Trem das Onze. Na década de 1970 e 1980, começa a surgir uma nova geração de sambistas. Podemos destacar: Paulinho da Viola, Jorge Aragão, João Nogueira, Beth Carvalho, Elza Soares, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Chico Buarque, João Bosco e Aldir Blanc. Outros importantes sambistas merecem menção honrosa como: Pixinguinha, Ataulfo Alves, Carmem Miranda (sucesso no Brasil e nos EUA), Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho, Lupicínio Rodrigues, Aracy de Almeida, Demônios da Garoa, Isaura Garcia, Candeia, Elis Regina, Nelson Sargento, Clara Nunes, Wilson Moreira, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e Lamartine Babo. Esses consagrados nomes, fizeram do samba uma identidade nacional, cuja a trajetória repercutiu num grande valor histórico na eclosão e composição da nossa música brasileira, porém, infelizmente hoje é comum ouvirmos equívocas analogias a respeito do samba, como no caso do "pagode versus samba de raís", no qual ao meu ver, há uma grande confusão dentre sambistas tradicionais e "pagodeiros" da midia atual, com supostas declarações, que mais decorrem de uma estima elevada e muita vezes ferida de seus egos, do que do concenso fundamental em sí. O (pagode) há nivel de música não passa de uma festa com diversos músicos, e o (Samba), um gênero musical.